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Emoções nossas de cada dia

 

Quem decide como vai ser o dia? Isso serve para todos, pais ou não pais. Somos nós que escolhemos como vamos enfrentar as próximas horas, depois que despertamos e partimos para as obrigações. Mas, sem querer dramatizar demais, quando se tem filhos, a história é um pouco mais pesada. Porque aí, mesmo que você tenha tido uma noite péssima (e isso é bem corriqueiro) ou mesmo que você esteja doente, as crianças vão continuar a demandar; e independentemente do humor, você terá que enfrentar essa batalha chamada ma(pa)ternidade. Se a gente tem uma noite tranquila, a saúde está em dia e não há problemas no trabalho, certamente a nossa paciência é maior para lidar com os aperreios e birras e teimosias e brigas entre os irmãos e tarefa escolar e preparar a refeição e dar banho e fazer todos dormirem e ainda assistir um filminho com o(a) amado(a). Podemos até estar esgotados, mas, sobrevive-se com um sorriso ainda nos lábios. Porém, vamos combinar que nos dias em que não houve noite tranquila, que o cansaço é absurdo ou um mal-estar nos acomete, tudo fica azedo! A paciência sai pela porta e entra a fúria pela janela. Instaura-se o caos. Porque nada cheira bem, nada está bom o suficiente e o mundo se torna um lugar horrível, o qual não desejamos mais habitar. O choro dos filhos irrita duas vezes mais e as demandas do dia a dia, as mesmas que enfrentamos ontem numa boa, tornam-se um sobrepeso impossível de se carregar. Não há dia igual porque não acordamos iguais todos os dias. A cada novo despertar, um ser humano diferente que oscila, que se desespera, que sorri, que se irrita, que acha graça de tudo, que acha tudo uma porcaria, que ama as crianças, que não entende por que se tornou mãe/pai. Tá tudo bem! Não é você, somos todos nós. Não sei quem inventou a obrigação de se dizer que está tudo bem sempre. Não está, não pode estar. Os dias variam e não há como se sentir feliz sempre, apesar de muitas vezes parecer que não podemos falar sobre tristeza, decepção, frustração ou arrependimentos. A vida não é Instagram. Aliás, esse aplicativo é só uma vírgula da vida real. Ele não é o todo, mas uma pequeníssima parte do que se é ou do que se vive, e, não poucas vezes, capta algo forçado, feito só para mostrar ou só para se dizer feliz. Esse post com cara de discurso, foi escrito para dizer que Noah está na fase de descobrir as emoções. Ele agora olha para mim e pergunta: “você está triste, mamãe?” ou “você está doente, mamãe?” e digo: “SIM, filho. Mamãe não tá bem hoje. Me dá um abraço?” Preciso falar de emoções com o meu filho. Porque ele, um ser humano nascido já imerso na tecnologia, tende a achar que somos todos aplicativos. Que basta passar o dedo na tela da vida para nos tornarmos felizes, alegres, satisfeitos, sem queixas! É tanta pressa, que não se permite o tempo passar para vivenciar as emoções boas e as ruins. Afinal, se quisermos crescer como indivíduos, há que se viver pequenos lutos diários, as tais perdas que querem nos fazer evitar em nome de uma felicidade inventada, plástica, rasa, fútil, que despreza o melhor do ser humano: a capacidade de sentir emoções diferentes e saber valorizar cada uma delas. Isso parece estar escorrendo pelos nossos dedos ávidos por consumir tanta informação e vidas irreais, para que não olhemos para dentro de nós mesmos. Tenho pensado sobre isso. Você também?

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