Emoções nossas de cada dia
12 de março de 2018
O berço
10 de agosto de 2018

Feliz (nem sempre) dia das mães!

O ano de 2009, mais precisamente o final do ano de 2009, foi marcante porque nele eu e meu marido decidimos que havia chegado a hora de aumentar a família. Já tínhamos o combo: casa, plantas e cachorro e, até aquele momento, tínhamos conseguido mantê-los vivos; então, pensamos: “acho que agora estamos prontos para a etapa seguinte: filhos.” Após algumas tentativas frustradas, em março de 2010, descobri-me grávida. O carnaval tinha sido animado e entre uma festa e outra, um bebê foi concebido. Apesar de estarmos cientes da decisão, quando recebi o resultado positivo, veio um medão daqueles, além de todas as questões que afligem os pais de primeira viagem: “será que vamos dar conta?” “como será a nossa vida depois que o bebê nascer?” “ele vai sobreviver à nossa inexperiência?” “será que vai nos amar?” “vai ser saudável?”. O que não imaginávamos é que o mais difícil seria nós, os pais, sobrevivermos à chegada de um bebê. Porque, a despeito de todo o amor, o cuidado e o bem-querer pelo novo serzinho que invade a nossa vida, a verdade é que filhos sugam, além do nosso colágeno, toda a nossa energia, a paciência, o amor próprio, a vaidade, e, principalmente, o tempo. Infelizmente, quando somos avisados pelos experientes na causa que filhos dão trabalho, a gente não compreende de fato o que isso quer dizer. Só tendo pra saber. Não tem jeito. Váááááárias amigas me disseram: “quando você falou que ter filho era punk eu não fazia ideia do quanto era punk”. Pois é! E por que isso acontece? Porque é feio escancarar o lado B da maternidade, do desgaste emocional que um filho provoca, das transformações que não estávamos esperando que fossem acontecer e simplesmente nos atropelam, do tempo exíguo que sobra para fazermos algo nosso, das preocupações que só aumentam à medida que o bebê cresce, sem falar no cansaço absurdo, que enfim, a gente aprende a conviver e pronto. É muito mais bonito romantizar e falar do amor infinito e desmedido, das emoções que sentimos a cada fase de progresso do bebê e tudo aquilo que soa como um sussurro para os ouvidos. Foda é abrir a boca para dizer que há dias NADA felizes! Porém, ainda que se queira esconder, até de si mesma, a real é que esses maus dias existem e eu duvido que haja alguma mulher que passou ou passa incólume por isso, nem que seja por minutos, durante um momento de caos externo ou interno. Talvez minhas palavras sejam um tanto duras para algumas, mas eu gosto de escrever a realidade nua e crua e não fazer de conta que tristeza e problemas não existem. Não me eximo de dizer que houve dias em que pensei: “por que me meti nessa?” principalmente quando estava com dois filhos e eu não sabia se amamentava o bebê ou dava colo pro mais velho, tão inconformado com a perda de seu espaço que, por quatro anos, havia sido inteiro. Ou seja, eu que já estava aos pedaços sendo mãe de um, me vi ainda mais repartida. A vantagem é que na segunda viagem, a gente sabe que tudo se acalmará mais cedo ou mais tarde e todos sobrevivem; com uma ou outra cicatriz, mas sobrevive! Desconfio (muito) de quem só fala das maravilhas que é ser mãe. Gosto mais das escrachadas, que jogam a real e dizem que há dias de desespero e que querem fugir pra nunca mais voltar. Porque sentir isso demonstra que, como qualquer ser humano, a gente se esgota. Afinal, filhos esgotam! E fazem a gente conhecer, além do nosso melhor, também (e principalmente) o nosso pior. Os dias, geralmente, são de testes e mais testes de resistência e entre um desafio e outro, o coração abranda quando a gente é surpreendida com gracinhas, balbucio de palavras, primeiros passinhos, estreia na escola, as primeiras vitórias no esporte e, claro, os olhares do amor genuíno que somente as crianças são capazes de nos dar.  Mas vamos ao dia nosso dia!

Por anos, o dia das mães sempre foi de exaltação à mulher que escolheu ser mãe, a rainha do lar, a dona da porra toda. Fala-se em empoderamento, em mulheres que são multitarefas e dão conta de serem mães, profissionais, esposas ou mães solo, donas de casa e vaidosas e amiga das amigas e presente em todos os eventos sociais e magra e malhada e sem carboidrato e sem açúcar e sem sei lá o quê…bom, eu passo! Passo o título de rainha, de dona da porra toda, de multitarefas porque eu não dou conta sozinha. É preciso ajuda, minha gente! E se temos um pai, não deve ser ajuda, deve ser parceria, compartilhamento de funções, afinal, a casa e os filhos são de ambos. E quem não tem? Abraça a amiga, a vizinha, a família e compartilha com sua rede de mulheres e de homens porque ninguém dá conta só! Já escrevi em outros posts um provérbio africano: “é preciso uma aldeia inteira para se educar uma criança”. Então, está mais do que provado que autossuficiência não é medalha, é suicídio! Mães precisam sim de ajuda, de tempo sozinhas, de passeio, de conversa com as amigas, de uma ida ao cinema, namorar, espairecer e voltar melhor do que saiu. Sou sempre fã da frase : “mães felizes, crianças felizes.” Portanto, meu desejo nesse dia das mães é que a gente pare um pouco e se livre da culpa de “se não for eu ninguém mais sabe fazer”. Porque, efetivamente, só você faz do seu jeito, mas as coisas podem ser feitas de outro modo e também darem certo. Oxigenar cérebro e alma faz muito bem e se estamos cercadas de ajuda, o peso da rotina é distribuído e não haverá sobrecarga. Por isso, deixo aqui meu desejo de um feliz dia das mães e que dias mais leves cheguem para todas nós!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *