Feliz (nem sempre) dia das mães!
7 de maio de 2018

O berço

O tempo passa, com ou sem a nossa permissão. O tempo, este brincante, passa, avança, segue, porque é assim que tem que ser. A minha relação com o tempo é perturbada, pois ora acho que ele me faz muito bem, ora penso que é o meu pior inimigo. Travamos uma relação dificultosa de amor e ódio. Hoje, por exemplo, estou profundamente chateada, na verdade, magoada. Após quase oito anos, o berço, o lugar que acolheu meus dois filhos, foi desmontado. Noah está com três anos e resolvemos que era hora dele ter uma caminha. O berço já tem destino e vai para outra casa, para outra família, que espera ansiosamente a chegada do primeiro filho e por isso estou muito feliz. Por outro lado, e aí que vem a minha chateação, percebo concretamente que o tempo avançou mais rápido do que eu queria e uma nova etapa nos espera, que é a de ver os filhos crescerem e se tornarem cada vez mais independentes, sem que possamos segurá-los. Há dias, confesso, que desejo que meus filhos já sejam adultos porque estou muito cansada, exausta de mandar tomar banho pela quinta vez e sair correndo para tentar colocar um simples pijama, enquanto eu poderia estar, sei lá, tomando um aperol spritz por aí! Sério! Tem dias que eu sonho com um aperol ou uma gin tônica, mas tudo o que eu tenho são dois curumins se engalfinhando e eu tentando resolver quem está com a razão. Mas hoje, ao olhar as partes desmontadas do que antes formavam um berço, o coração ficou bem pequenininho…assim, que nem caroço de feijão, sabe? Porque é duro dar conta de todos os sentimentos que brotam quando você olha para o que foi um berço e lembra da exata sensação que ele provocou ao chegar em casa, em várias caixas e com pessoas me perguntando onde era para montar e eu sem saber o que responder, afinal, eu ainda não era mãe, então, sei lá, moço! Onde o senhor acha melhor? porque eu mesma não sei dizer! Eu ainda com tamanha barriga, sozinha, inexperiente, bruta como um diamante, sem saber o que me esperava. E o berço que devia acolher o Daniel, acolheu também a mim, crua, desavisada, perturbada, às vezes triste, outras muito cansada e tantas outras feliz. Quando chegou a vez do Noah, tudo foi mais fácil, afinal, a segunda viagem é quase sempre mais leve que a primeira. E lá se passaram três anos em que cantei e contei histórias para dois, um na cama e o outro no berço…e então chegou o dia do adeus. Eu preciso dizer adeus às coisas, necessito ritualizar as passagens de fase senão meu coração não aguenta e meu cérebro funde…eu sei, eu sei, é muito drama pra pouca mãe…mas, você que também é mãe sabe que o drama faz parte senão a gente não seria mãe, né?! Então, vamos sacudir a poeira e pegar amor pela nova configuração do quarto. Porque é isso, gente….a vida tá sempre se reconfigurando, e nós, humanos, precisamos (porque sabemos) nos adaptar! 

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